domingo, 27 de julho de 2008

Bom de Ler...


INFINDAVIDA

Diante do vago contorno
Desta minha vida,
Vejo que viver é a constante busca.
É, pela conquista, a implacável luta.
Vida, seletiva vida,
O saber é o rascunho da sabedoria.
Sinto que tudo gira, gira;
E jamais foge do vasto,
Supérfulo e infindável objetivo
Concreto e incerto,
Que foge os alcances.
Da busca considerável.
Excede sempre o cansaço,
E a cada degrau,
Esvai-se o esforço.
Na torre do conhecimento
É o onde está o cume desta vida.
Perfeita, incompleta...
Nada é mais volátil
Que saber que devemos ser;
Mas infelicitadamente, não somos.
TEORIA DA RELATIVIDADE
Na minha incerta realidade,
Eu acredito.
Tua tão certa verdade,
Não permito.
Relatividade.
Você me diz não ter preconceito,
E me odeia por ser preconceituosa.
Qual é o seu conceito?
Não seria tua conclusão pretensiosa?
Relatividade.
Onde cabe nosso mundo?
Tão pequeno e obscuro,
Imundo.
No qual não vemos futuro.
Relatividade.
Sabemos achar...
Invenções, ilusões...
Cabeças que só sabem sonhar,
Jamais põem restrições.
Relatividade.
Eu, “independentemente”, penso.
Por te imitar.
Onde está o senso?
Não sei diferenciar.
Relatividade.
Tudo é relativo.
Saber meu.
Saber seu.
Nosso criar é criativo?
Relatividade.
Não sei se entendeu.
Só sei que tudo gira,
Dentro de uma relativa teoria,
Que é afirmada e o mundo contraria...
Relatividade.
Por Alessandra Seixas, 24 anos

sábado, 31 de maio de 2008

Agora sim um texto com contexto



Noiva cadáver é um belo filme, tem lições preciosíssimas ...
a cena que mais me marcou foi a de perto do fim , quando ela (a noiva cadáver) percebe que deve abrir mão do seu amado para que ele seja feliz ... é uma ótima representação da realidade do amor, me fez lembrar Drummond no poema "a quadrilha", o amor é caracterizado pelo "abrir mão", pelo "abster-se em favor de" ,às vezes abrir mão é deixar ir , é contentar-se em não ter para que ele ( o objeto do seu amor) tenha, por isso ele nas palavras do Ap. Paulo " não procura seus intereses", "tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta". O amor verdadeiro sabe a hora de retirar-se de cena , e não inveja nem guarda rancor, essas ações causam dor pra valer e parece que o amante, quando precisa abrir mão do ser amado, está em desvantagem , mas na verdade ao amar desse jeito é ele o mais beneficiado pois são nesses momentos e somente nesses que algumas virtudes brotam, é assim que vencemos o egoísmo e a vontade de prevalecer , é uma espécie de fraqueza consentida , bem expressou Camões ao dizer " Amor... É querer estar preso por vontade;É servir a quem vence, o vencedor;É ter com quem nos mata, lealdade" o amor nunca é infrutífero, mesmo quando não é correspondido, apesar de toda a dor que pode causar, se você parar um pouco , se aquietar , ouvir mais Aquele que é o Amor, vai perceber que a maior vantagem no amor nem sempre é consumá-lo, nem sempre vai ser estar do lado da pessoa amada, a riqueza do amor é simplesmente amar, e amar é um bem que não pode ser retirado de você, mesmo quando precisa ver o seu amado nos braços de outra ...
por isso... desejo felicidades ... e apesar de tudo ... me contento em ver vocês felizes ... percebi que é hora de retirar-me .

Serenidade



A primeira vez que que parei pra pensar nessa palavra - serenidade - foi na faculdade de Teologia, quando o Pr Isaltino Gomes orava pelos alunos que apresentariam o sermão de prova que seria gravado e rigorosamente avaliado, eu apresentaria naquela noite, estava tremendo tanto, minhas pernas bambeavam, meus lábios batiam levemente, como quando estamos com muito frio, e meu raciocínio parecia ter ido dar uma volta, eu não lembrava de nada que havia preparado... então ele orou "Senhor dê serenidade a eles..." e muito calmamente apresentei o sermão naquela noite, e apesar da situação embaraçosa, me sai bem graças a Deus e eu acredito à oração do Pr Isaltino.
Hoje lembrei-me da SERENIDADE e pedi ela a Deus, pedi com tanta necessidade, com tanta precisão, com olhos de menor carente... que Ele tem me ouvido... e novamente em meio a tremiliques, ao frio no meu interior e à situação embaraçosa Ele me concede Serenidade, que sempre vem acompanhada de Calma, Tranqüilidade, Mansidão, Sossegado e Paz ...
É assim que me sinto agora serena...

sábado, 24 de maio de 2008

Acostumar-se


Clarice Lispector

" Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e
a não ter outra vista que não as janelas ao redor.
E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender cedo a luz.
E à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora.
A tomar o café correndo porque está atrasado.
A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem.
A comer sanduíche porque não dá para almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.
A deitar cedo, e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir.
A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta.
A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita.
E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar.
E a pagar mais do que as coisas valem.
E, a saber, que cada vez pagará mais.
E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro,
para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma à poluição.
Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro.
À luz artificial de ligeiro tremor.
Ao choque que os olhos levam na luz natural.
Às bactérias de água potável.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer.
Em doses pequenas, tentando não perceber,
vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá.
Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo.
Se o cinema está cheio, a gente se senta na primeira fila
e torce um pouco o pescoço.
Se o trabalho está duro a gente se consola pensando no fim de semana.
E se com a pessoa que a gente ama, à noite ou no fim de semana
não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito
porque tem sempre sono atrasado.
A gente se acostuma para não ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta e se gasta de tanto se acostumar,
e se perde em si mesma."

domingo, 18 de maio de 2008

DIP






Domingo da Igreja Perseguida
Missão Portas Abertas

É de corar de vergonha!


Cora coração

Toalha nos ombros, bacia na mão.
É grande o assombro de vê-Lo no chão,
o orgulho que presto me arrasta pro mal,
levou com esse gesto um golpe fatal.

Os anjos seu nome ardendo proclamam,
e os astros insones por ele se inflamam.
Espírito ameno carrega consigo,
e lava sereno os pés dos amigos.

Cora então coração,
vê teu Mestre e Senhor
de bacia na mão praticando o amor.
Muda agora e vai teu irmão procurar,
que há feridas demais que tu deves curar.

Stênio Marcius

sábado, 17 de maio de 2008

Momento "meu querido diário..."


No último dia 9 fiz 25 anos. Obrigado a todos que fizeram esse dia especial!
Apesar do sorriso rasgado, nesse ano meus olhos estavam meio apagados...
Senti falta de um "parabéns!" especial...
Fiquei só na espera...

Bola pra frente!

Pronto, desabafei !

Anatomias

O nome do autor é Pedro Miguel do Nascimento Veliça, você pode encontrar mais anatomias e dados sobre o autor em http://anatomias.mediasmile.net/
Click na imagem para vê-la em tamanho real



O parque



Crianças correm, velhos sorriem, apaixonados se encontram,
aqui eu respiro fundo como à poucos metros não podia fazer.
O cinza dá lugar ao verde, muito verde, em muitos tons...
O som das buzinas dá lugar ao canto dos pássaros...
A linguagem "cortês"do caótico trânsito é trocada pela risada de crianças...
Aqui o som dos beijos dos namorados, da conversa à toa, das crianças brincando formam um música diferente, agradável.
Aqui minha lembrança voa - também dei risada num parque como esse, como os namorados daqui também fiz barulho de estalos, de tão forte quase podia ouvir o meu coração bater , também dei risada exagerada, joguei conversa fora- e assim eu caminhava...

Hoje o parque parecia um portal de prazer e lembrança...


A vírgula


A vígula pode ser uma pausa. Ou não
Não, espere.
Não espere.

A vírgula pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso, só ele resolve.

Ela pode forçar o que você não quer.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.

Pode acusar a pessoa errada.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.

A vírgula pode mudar uma opinião.
Não quero ler.
Não, quero ler.

Uma vírgula muda tudo.


ABI. 100 anos lutando para que ninguém mude nem uma vírgula da sua informação.
Associação Brasileira de Imprenssa.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

O Desaparecido


Tarde fria, e então eu me sinto um daqueles velhos poetas de antigamente que sentiam frio na alma quando a tarde estava fria, e então eu sinto uma saudade muito grande, uma saudade de noivo, e penso em ti devagar, bem devagar, com um bem-querer tão certo e limpo, tão fundo e bom que parece que estou te embalando dentro de mim.Ah, que vontade de escrever bobagens bem meigas, bobagens para todo mundo me achar ridículo e talvez alguém pensar que na verdade estou aproveitando uma crônica muito antiga num dia sem assunto, uma crônica de rapaz; e, entretanto, eu hoje não me sinto rapaz, apenas um menino, com o amor teimoso de um menino, o amor burro e comprido de um menino lírico. Olho-me no espelho e percebo que estou envelhecendo rápida e definitivamente; com esses cabelos brancos parece que não vou morrer, apenas minha imagem vai-se apagando, vou ficando menos nítido, estou parecendo um desses clichês sempre feitos com fotografias antigas que os jornais publicam de um desaparecido que a família procura em vão.Sim, eu sou um desaparecido cuja esmaecida, inútil foto se publica num canto de uma página interior de jornal, eu sou o irreconhecível, irrecuperável desaparecido que não aparecerá mais nunca, mas só tu sabes que em alguma distante esquina de uma não lembrada cidade estará de pé um homem perplexo, pensando em ti, pensando teimosamente, docemente em ti, meu amor.

Texto de Rubem Braga, extraído do livro "A Traição das Elegantes", Editora Sabiá - Rio de Janeiro, 1969, pág. 112.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Estrela


Há de surgir uma estrela no céu
Cada vez que ocê sorrir
Há de apagar uma estrela no céu
Cada vez que ocê chorar

O contrário também bem que pode acontecer
De uma estrela brilhar quando a lágrima cair
Ou então de uma estrela cadente se jogar
Só pra ver a flor do seu sorriso se abrir

Hum! Deus fará absurdos
Contanto que a vida seja assim
Sim um altar
Onde a gente celebre tudo o que
Ele consentir

Gilberto Gil

sábado, 10 de maio de 2008

sábias palavras 2

"A esperança que se adia faz adoecer o coração, mas o desejo cumprido é árvore de vida"1


"O que oprime o pobre insulta Aquele que o criou, mas a este honra o que se compadece do necessitado"2



"A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda."3

"Antes da ruína gaba-se o coração, e diante da honra vai a humildade."4




1Pv13.12
2Pv 14.31
3Pv16.18
4Pv18.12

domingo, 4 de maio de 2008

Os olhos do menino

Os olhos por trás da touca de inverno
não dizem quem é esse ser.
Tem um olhar experiente, sofrido,
como se já tivesse vivido
tudo o que tinha pra viver.
Mas o corpo franzino e o jeito de menino,
desmentem o que acabo de ver,
Não são dele esses olhos,
não lhe cabe esse olhar!
Ele é só um menino e já é um bandido,
faz da arma brinquedo,
É tão triste seu olhar.

Rosilene G. Ribeiro

Quando a gente ama...



Quando a gente amam alguém, tudo o que acontece com o ser amado reflete em nós superpontecializado... explico...

se algo te faz sorrir, a mim, me faz gargalhar, e meu riso sai rasgado sem caber na boca, e não caibo em mim...

se algo te entristecer, sinto o meu coração pesar, chegando a doer, como se em mim a tristeza fosse maior...

se você recebe um elogio, quem fica mais orgulhosa sou eu, meu peito estufa, dá vontade de gritar, e eu cresco dentro de mim...

Tudo o que te acontece se duplica em mim...

Bjão maninha ! Parabéns pela formatura!!!

sábado, 3 de maio de 2008

sábias palavras...



Como jóia de ouro no focinho de uma porca, assim é a mulher formosa que não tem discrição. 1



Enganosa é a beleza e vã a formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa sim será louvada.2


1(PV 11:22)
2(PV 31:30)

quinta-feira, 1 de maio de 2008




"Aprendi com a primavera a me deixar cortar. E a voltar sempre inteira."


Cecília Meireles

quarta-feira, 30 de abril de 2008

sábado, 26 de abril de 2008

The End


Fim do filme... Fim da música... Fim do livro... Fim da sobremesa... Fim do fim-de-semana... Fim da festa... Fim do curso... Fim de uma relação... O fim tende a ser melancólico, trás aquele aperto no peito, quando acaba algo que gostamos muito dá vontade de ter aquele reação infantil : - Ah! Acaboou ?!!!.

É claro que também há fins esperados e comemorados como o fim do expediente após um dia exaustivo de trabalho... O Fim da semana (a esperada sexta-feira)... O fim da espera quando marcamos um encontro... O fim de tarde com aquele pôr do sol...

Nem todos os fins são tristes, só lamentamos pelo fim cujo o meio foi bom, o que queríamos na verdade era estender o bem que nos fez aquele fim de semana ao lado daquele amor, ou a sensação extática que nos trouxe ler aquele livro ou ouvir aquela música especial ( talvez por isso relemos livros e não cansamos de ouvir a mesma música), queríamos esticar aquele feriado por mais uns cinco dias, e que a sensação do sabor daquela sobremesa permanecesse...

Toda vez que experimentamos algo bom que acaba lamentamos pois há em nós o desejo pela eternidade, "bom e eterno" deveriam andar lado a lado, mas aqui ainda não vivemos isso, é algo para mais tarde. Por isso, gosto de pensar que sempre que presencio algo bom, mesmo que por pouco tempo, estou tendo vislumbres do eterno, daquilo que me aguarda no fim de todas as coisas...

Assim, a leitura de um livro, a companhia de amados, a música, a paisagem apreciada, o sabor , e tudo auilo que é bom de fato nessa vida é um pedaço do eterno, sem querer ser herética, diria que é um pedaço do Céu.
Rosilene G. Ribeiro

O gigolô das palavras



por Luís Fernando Veríssimo
Quatro ou cinco grupos diferentes de alunos do Farroupilha estiveram lá em casa numa mesma missão, designada por seu professor de Português: saber se eu considerava o estudo da Gramática indispensável para aprender e usar a nossa ou qualquer outra língua. Cada grupo portava seu gravador cassete, certamente o instrumento vital da pedagogia moderna, e andava arrecadando opiniões. Suspeitei de saída que o tal professor lia esta coluna, se descabelava diariamente com suas afrontas às leis da língua, e aproveitava aquela oportunidade para me desmascarar. Já estava até preparando, às pressas, minha defesa ("Culpa da revisão! Culpa da revisão !"). Mas os alunos desfizeram o equívoco antes que ele se criasse. Eles mesmos tinham escolhido os nomes a serem entrevistados. Vocês têm certeza que não pegaram o Veríssimo errado? Não. Então vamos em frente.
Respondi que a linguagem, qualquer linguagem, é um meio de comunicação e que deve ser julgada exclusivamente como tal. Respeitadas algumas regras básicas da Gramática, para evitar os vexames mais gritantes, as outras são dispensáveis. A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer "escrever claro" não é certo mas é claro, certo? O importante é comunicar. (E quando possível surpreender, iluminar, divertir, mover... Mas aí entramos na área do talento, que também não tem nada a ver com Gramática.) A Gramática é o esqueleto da língua. Só predomina nas línguas mortas, e aí é de interesse restrito a necrólogos e professores de Latim, gente em geral pouco comunicativa. Aquela sombria gravidade que a gente nota nas fotografias em grupo dos membros da Academia Brasileira de Letras é de reprovação pelo Português ainda estar vivo. Eles só estão esperando, fardados, que o Português morra para poderem carregar o caixão e escrever sua autópsia definitiva. É o esqueleto que nos traz de pé, certo, mas ele não informa nada, como a Gramática é a estrutura da língua mas sozinha não diz nada, não tem futuro. As múmias conversam entre si em Gramática pura.
Claro que eu não disse isso tudo para meus entrevistadores. E adverti que minha implicância com a Gramática na certa se devia à minha pouca intimidade com ela. Sempre fui péssimo em Português. Mas - isso eu disse - vejam vocês, a intimidade com a Gramática é tão indispensável que eu ganho a vida escrevendo, apesar da minha total inocência na matéria. Sou um gigolô das palavras. Vivo às suas custas. E tenho com elas exemplar conduta de um cáften profissional. Abuso delas. Só uso as que eu conheço, as desconhecidas são perigosas e potencialmente traiçoeiras. Exijo submissão. Não raro, peço delas flexões inomináveis para satisfazer um gosto passageiro. Maltrato-as, sem dúvida. E jamais me deixo dominar por elas. Não me meto na sua vida particular. Não me interessa seu passado, suas origens, sua família nem o que outros já fizeram com elas. Se bem que não tenho o mínimo escrúpulo em roubá-las de outro, quando acho que vou ganhar com isto. As palavras, afinal, vivem na boca do povo. São faladíssimas. Algumas são de baixíssimo calão. Não merecem o mínimo respeito.
Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das suas palavras seria tão ineficiente quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou a tediosa formalidade de um marido. A palavra seria a sua patroa ! Com que cuidados, com que temores e obséquios ele consentiria em sair com elas em público, alvo da impiedosa atenção dos lexicógrafos, etimologistas e colegas. Acabaria impotente, incapaz de uma conjunção. A Gramática precisa apanhar todos os dias pra saber quem é que manda.

sábado, 19 de abril de 2008

Quem me dera ...



Ela une todas as coisas
Jorge Vercilo
Composição: Jorge Vercilo / Jota Maranhão

Ela une todas as coisas
como eu poderia explicar
um doce mistério de rio
com a transparência de um mar ?

Ela une todas as coisas
quantos elementos vão lá …
sentimento fundo de água
com toda leveza do ar

Ela está em todas as coisas
até no vazio que me dá
quando vejo a tarde cair
e ela não está

Talvez ela saiba de cor
tudo que eu preciso sentir

Pedra preciosa de olhar !
Ela só precisa existir
para me completar

Ela une o mar
com o meu olhar
Ela só precisa existir
pra me completar

Ela une as quatro estações
Une dois caminhos num só
Sempre que eu me vejo perdido
une amigos ao meu redor
Ela está em todas as coisas
até no vazio que me dá...

Une o meu viver
com o seu viver
Ela só precisa existir
para me completar

domingo, 13 de abril de 2008

O avesso da História



Que terrível cavaleiro
De armadura reluzente
Como um raio vai ligeiro
Pra matar gente inocente
O punhal brilha amolado
Zelo cego e equivocado
Semeando atrocidades
Rege em sangue as cidades

Mas na estrada de Damasco
Cai vertiginosamente
Abatido o carrasco
Feito uma estrela cadente
Frente a frente com a glória
Do Jesus que perseguia
Olha o avesso da história
A mais santa ironia

Mudou, mudou
Ele agora é perseguido
E sabe o que é a dor
Mudou, vive, morre, prega e chora
Pelo seu Senhor
Mudou, traz no corpo as marcas
Que por Cristo conquistou
Mudou, rosto que antes aguerrido
Enfim suavizou

Mudou, mudou , anda comovido
Constrangido pelo amor
Mudou, quando torturado
Canta um hino de louvor
Mudou, quer que o mundo inteiro
Saiba quem o transformou
Mudou, porque muda mesmo aquele
A quem o amor mudou
Stênio Marcius

Fim de tarde no portão


Fim de tarde no portão
A cabeça branca ao relento
Teimosia de paixão
Faz das cinzas renascer alento
Na estrada o seu olhar
Procurando um vulto conhecido
Espera um dia abraçar
Quem diziam já estar perdido
O seu amor é tão forte
Mais que o inferno e a morte
São torrentes que arrebentam o chão
Mais fácil secar os mares
Apagar a estrela antares
Que arrancar o amor de seu coração
Fim de tarde se debruça no portão
Mas um dia aconteceu
E o moço retornou mendigo
O pai depressa correu
E abraçou o filho tão querido
Tragam roupas e o anel
Calçem logo os seus pés, milagre!
Vinho do melhor tonel
Tanta alegria em mim não cabe
O seu amor é tão forte.....
Fim de tarde está deserto o portão
Stênio Marcius

Estima



Um lamento de cortar o coração
Ecoou no vale, todo mundo ouviu
Um pastou aflito
Conta e reconta sem querer acreditar
Falta uma ovelha no curral

Comovido vai em busca de encontrá-la
Ela é fraca e tola, mas ele a estima
Sobe e desce morro, mil perigos
Vai exausto sem jamais perder
A ternura quando chama o nome dela

Por lugares tortos e sombrios
Sofre quando a imagina ali
Fosse outro encerraria a busca
Mas incompreensivelmente a ama
E no fim da madrugada a encontra
Ferida e assustada, mas com vida
E desce a ribanceira como aos vinte anos
E a toma com cuidadoSobre os ombros fartos

Que alarido é esse no amanhecer?
É o pastor fazendo festa no arraial
Como se tivesse achado
O maior tesouro que jamais se viu
É só uma ovelha,
Mas como a estima

Stênio Marcius

Estou submergida


Estou submergida em Lucas 15 .
Há mais ou menos um mês esse texto me persegue...

não canso de ler, cantar, meditar, chorar, ler .... cantar, meditar, chorar ...
Nessa Graça Maravilhosa !!!

Essas são algumas das letras de músicas que têm me acompanhado nesse mergulho...
São todas de Stênio Marcius