sábado, 26 de abril de 2008

O gigolô das palavras



por Luís Fernando Veríssimo
Quatro ou cinco grupos diferentes de alunos do Farroupilha estiveram lá em casa numa mesma missão, designada por seu professor de Português: saber se eu considerava o estudo da Gramática indispensável para aprender e usar a nossa ou qualquer outra língua. Cada grupo portava seu gravador cassete, certamente o instrumento vital da pedagogia moderna, e andava arrecadando opiniões. Suspeitei de saída que o tal professor lia esta coluna, se descabelava diariamente com suas afrontas às leis da língua, e aproveitava aquela oportunidade para me desmascarar. Já estava até preparando, às pressas, minha defesa ("Culpa da revisão! Culpa da revisão !"). Mas os alunos desfizeram o equívoco antes que ele se criasse. Eles mesmos tinham escolhido os nomes a serem entrevistados. Vocês têm certeza que não pegaram o Veríssimo errado? Não. Então vamos em frente.
Respondi que a linguagem, qualquer linguagem, é um meio de comunicação e que deve ser julgada exclusivamente como tal. Respeitadas algumas regras básicas da Gramática, para evitar os vexames mais gritantes, as outras são dispensáveis. A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer "escrever claro" não é certo mas é claro, certo? O importante é comunicar. (E quando possível surpreender, iluminar, divertir, mover... Mas aí entramos na área do talento, que também não tem nada a ver com Gramática.) A Gramática é o esqueleto da língua. Só predomina nas línguas mortas, e aí é de interesse restrito a necrólogos e professores de Latim, gente em geral pouco comunicativa. Aquela sombria gravidade que a gente nota nas fotografias em grupo dos membros da Academia Brasileira de Letras é de reprovação pelo Português ainda estar vivo. Eles só estão esperando, fardados, que o Português morra para poderem carregar o caixão e escrever sua autópsia definitiva. É o esqueleto que nos traz de pé, certo, mas ele não informa nada, como a Gramática é a estrutura da língua mas sozinha não diz nada, não tem futuro. As múmias conversam entre si em Gramática pura.
Claro que eu não disse isso tudo para meus entrevistadores. E adverti que minha implicância com a Gramática na certa se devia à minha pouca intimidade com ela. Sempre fui péssimo em Português. Mas - isso eu disse - vejam vocês, a intimidade com a Gramática é tão indispensável que eu ganho a vida escrevendo, apesar da minha total inocência na matéria. Sou um gigolô das palavras. Vivo às suas custas. E tenho com elas exemplar conduta de um cáften profissional. Abuso delas. Só uso as que eu conheço, as desconhecidas são perigosas e potencialmente traiçoeiras. Exijo submissão. Não raro, peço delas flexões inomináveis para satisfazer um gosto passageiro. Maltrato-as, sem dúvida. E jamais me deixo dominar por elas. Não me meto na sua vida particular. Não me interessa seu passado, suas origens, sua família nem o que outros já fizeram com elas. Se bem que não tenho o mínimo escrúpulo em roubá-las de outro, quando acho que vou ganhar com isto. As palavras, afinal, vivem na boca do povo. São faladíssimas. Algumas são de baixíssimo calão. Não merecem o mínimo respeito.
Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das suas palavras seria tão ineficiente quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou a tediosa formalidade de um marido. A palavra seria a sua patroa ! Com que cuidados, com que temores e obséquios ele consentiria em sair com elas em público, alvo da impiedosa atenção dos lexicógrafos, etimologistas e colegas. Acabaria impotente, incapaz de uma conjunção. A Gramática precisa apanhar todos os dias pra saber quem é que manda.

sábado, 19 de abril de 2008

Quem me dera ...



Ela une todas as coisas
Jorge Vercilo
Composição: Jorge Vercilo / Jota Maranhão

Ela une todas as coisas
como eu poderia explicar
um doce mistério de rio
com a transparência de um mar ?

Ela une todas as coisas
quantos elementos vão lá …
sentimento fundo de água
com toda leveza do ar

Ela está em todas as coisas
até no vazio que me dá
quando vejo a tarde cair
e ela não está

Talvez ela saiba de cor
tudo que eu preciso sentir

Pedra preciosa de olhar !
Ela só precisa existir
para me completar

Ela une o mar
com o meu olhar
Ela só precisa existir
pra me completar

Ela une as quatro estações
Une dois caminhos num só
Sempre que eu me vejo perdido
une amigos ao meu redor
Ela está em todas as coisas
até no vazio que me dá...

Une o meu viver
com o seu viver
Ela só precisa existir
para me completar

domingo, 13 de abril de 2008

O avesso da História



Que terrível cavaleiro
De armadura reluzente
Como um raio vai ligeiro
Pra matar gente inocente
O punhal brilha amolado
Zelo cego e equivocado
Semeando atrocidades
Rege em sangue as cidades

Mas na estrada de Damasco
Cai vertiginosamente
Abatido o carrasco
Feito uma estrela cadente
Frente a frente com a glória
Do Jesus que perseguia
Olha o avesso da história
A mais santa ironia

Mudou, mudou
Ele agora é perseguido
E sabe o que é a dor
Mudou, vive, morre, prega e chora
Pelo seu Senhor
Mudou, traz no corpo as marcas
Que por Cristo conquistou
Mudou, rosto que antes aguerrido
Enfim suavizou

Mudou, mudou , anda comovido
Constrangido pelo amor
Mudou, quando torturado
Canta um hino de louvor
Mudou, quer que o mundo inteiro
Saiba quem o transformou
Mudou, porque muda mesmo aquele
A quem o amor mudou
Stênio Marcius

Fim de tarde no portão


Fim de tarde no portão
A cabeça branca ao relento
Teimosia de paixão
Faz das cinzas renascer alento
Na estrada o seu olhar
Procurando um vulto conhecido
Espera um dia abraçar
Quem diziam já estar perdido
O seu amor é tão forte
Mais que o inferno e a morte
São torrentes que arrebentam o chão
Mais fácil secar os mares
Apagar a estrela antares
Que arrancar o amor de seu coração
Fim de tarde se debruça no portão
Mas um dia aconteceu
E o moço retornou mendigo
O pai depressa correu
E abraçou o filho tão querido
Tragam roupas e o anel
Calçem logo os seus pés, milagre!
Vinho do melhor tonel
Tanta alegria em mim não cabe
O seu amor é tão forte.....
Fim de tarde está deserto o portão
Stênio Marcius

Estima



Um lamento de cortar o coração
Ecoou no vale, todo mundo ouviu
Um pastou aflito
Conta e reconta sem querer acreditar
Falta uma ovelha no curral

Comovido vai em busca de encontrá-la
Ela é fraca e tola, mas ele a estima
Sobe e desce morro, mil perigos
Vai exausto sem jamais perder
A ternura quando chama o nome dela

Por lugares tortos e sombrios
Sofre quando a imagina ali
Fosse outro encerraria a busca
Mas incompreensivelmente a ama
E no fim da madrugada a encontra
Ferida e assustada, mas com vida
E desce a ribanceira como aos vinte anos
E a toma com cuidadoSobre os ombros fartos

Que alarido é esse no amanhecer?
É o pastor fazendo festa no arraial
Como se tivesse achado
O maior tesouro que jamais se viu
É só uma ovelha,
Mas como a estima

Stênio Marcius

Estou submergida


Estou submergida em Lucas 15 .
Há mais ou menos um mês esse texto me persegue...

não canso de ler, cantar, meditar, chorar, ler .... cantar, meditar, chorar ...
Nessa Graça Maravilhosa !!!

Essas são algumas das letras de músicas que têm me acompanhado nesse mergulho...
São todas de Stênio Marcius

sexta-feira, 21 de março de 2008

sábado, 15 de março de 2008

Dica

Para todos os 1 ou 2 leitores desse singelo blog,
darei uma dica: entrem no blog do Stênio Marcius
http://steniomarcius.blogspot.com
deleitem-se com essas letras, e pra ficar melhor ainda
adquiram o CD Estima, ou qualquer um dele...
Ele fala de alguma coisa meio estranha pra nós,
pareçe coisa nova , mas na verdade é de uns 2000 anos atrás...
Graça, Perdão, Amor, raro de ouvir hoje né !!! pois é ....
Cristãos, uni-vos ! rsrsrs

Rose

Que letra é essa?!!

O melhor lugar

Chora Maria madalena chora
Aos pés de Cristo que te perdoou
Chora irmã minha que eu choro contigo
Pois eu também não passo de um pecador
Lava maria que eu lavo contigo
Os pés que nunca foram mesmo livres
Pois os seus passos já estão contados
Serão parados pela força numa cruz
Enxuga bem Maria
Unge com aloés
Esses queridos pés
Que andam feridos
Vamos ficar maria
Esse é o melhor lugar
Pra gente como nós
Mas que ele quis salvar
Beija Maria que eu tembém quero beijar
Esses benditos pés empoeirados
Que levarão por toda a eternidade
As marcas do amor feitas por cravos


Stênio Marcius

Sala do Banquete

Para um Banquete eu fui convidado
E ao lado do Rei pude estar
Não foi por honra ou merecimento
Pois nem belas roupas estava a trajar

mas o Grande Rei minhas vestes trocou
cobriu minha pobreza e vergonha
e o que me cobria era o seu amor
Por ele só por ele eu pude ali estar

Me levou, Ele me levou à sala do banquete
E os seus olhares pra mim eram de amor

Assentado em Sua mesa estou
desfrutando da Sua Presença
Fome e sede saciou
e jamais deixará que eu pereça

Cantares 2.4 e Lucas 14.15

Rose

Grande Tesouro

Grande tesouro, pérola de imenso valor, vale desfazer-se de todo o resto pela a alegria de encontrar-te.

Busca a ovelha perdida, acolhe a ovelha negra da família, deixa mendigos na festa entrar...
Come com os pecadores, com mulheres sem reputação e perdoa suas infidelidades...

Grande escândalo! O Criador do universo cabe em um óvulo, cabe em uma camponesa, cabe em algum lugar empoeirado do Oriente.
Por que ele faz assim?
“Seu amor é tão forte, mais que o inferno e a morte, são torrentes que arrebentam o chão, mais fácil secar os mares, apagar a estrela Antares, que arrancar o amor do seu coração” [1].

A História é retomada desde a Criação, Seu Amor não recuou nos anos, fulgiu em Belém, na Cruz culminou...
Sua Graça é celebrada, cada vez que sou lembrada “Necessito do seu Perdão!”...
Sei que não mereço, e tudo que Lhe ofereço é o meu coração, Dou-te ele constrangido, pesado e envergonhado, Tua companhia o torna perdoado, leve e cheio de gratidão.
Grande tesouro, pérola de imenso valor, vale desfazer-se de todo o resto pela a alegria de encontrar-te

[1] Trecho da música de Stênio Marcius ‘Fim de tarde no portão’

sábado, 8 de março de 2008

Viver e cantar


Taí uma música que traduz muito do que eu penso...


Quero cantar o que vivo
Quero viver o que canto
Seja meu riso, meu pranto
Viver e cantar
Harmonizar os meus sonhos
Poetizar minhas lágrimas
E no contar dos meus dias
Com Deus me encontrar

Que meu canto seja a voz de Deus por onde for
Verdadeiro e transparente como Seu amor
Pois Ele sabe os meus rumos
Erros e acertos ocultos
Conhece a sinceridade do meu coração
Que eu seja sempre o primeiro
A me encontrar em Sua graça
E em Sua misericórdia transformar minha vida
Numa linda canção

Não quero ser poderoso
Nem me entregar como um fraco
Só estar com Deus na fraqueza
E provar Seu poder

Buscar a Sua vontade
Boa, perfeita e agradável
E em Seu perdão há razão pra lutar e vencer

Que meu canto seja a voz de Deus por onde for
Verdadeiro e transparente como Seu amor
Pois Ele sabe os meus rumos
Erros e acertos ocultos
Conhece a sinceridade do meu coração
Que eu seja sempre o primeiro
A me encontrar em Sua graça
E em Sua misericórdia transformar minha vida
Numa linda canção

João Alexandre

MULHERES !!!!

VALE A PENA LER DE NOVO ESSE TEXTO DO VERÍSSIMO!!!!

"Certo dia parei para observar as mulheres e só pude concluir uma coisa: elas não são humanas. São espiãs. Espiãs de Deus, disfarçadas entre nós.Pare para refletir sobre o sexto-sentido. Alguém duvida de que ele exista?
E como explicar que ela saiba exatamente qual mulher, entre as presentes, em uma reunião, seja aquela que dá em cima de você?
E quando ela antecipa que alguém tem algo contra você, que alguém está ficando doente ou que você quer terminar o relacionamento?
E quando ela diz que vai fazer frio e manda você levar um casaco? Rio de Janeiro, 40 graus, você vai pegar um avião pra São Paulo. Só meia-hora de vôo. Ela fala pra você levar um casaco, porque "vai fazer frio". Você não leva. O que acontece? O avião fica preso no tráfego, em terra, por quase duas horas, depois que você já entrou, antes de decolar. O ar condicionado chega a pingar gelo de tanto frio que faz lá dentro!
"Leve um sapato extra na mala, querido. Vai que você pisa numa poça..." Se você não levar o "sapato extra", meu amigo, leve dinheiro extra para comprar outro. Pois o seu estará, sem dúvida, molhado...
O sexto-sentido não faz sentido!
É a comunicação direta com Deus!
Assim é muito fácil...
As mulheres são mães!E preparam, literalmente, gente dentro de si. Será que Deus confiaria tamanha responsabilidade a um reles mortal? E não satisfeitas em ensinar a vida elas insistem em ensinar a vivê-la, de forma íntegra, oferecendo amor incondicional e disponibilidade integral.
Fala-se em "praga de mãe", "amor de mãe", "coração de mãe"... Tudo isso é meio mágico... Talvez Ele tenha instalado o dispositivo "coração de mãe" nos "anjos da guarda" de Seus filhos (que, aliás, foram criados à Sua imagem e semelhança).
As mulheres choram. Ou vazam? Ou extravazam?Homens também choram, mas é um choro diferente. As lágrimas das mulheres têm um não sei quê que não quer chorar, um não sei quê de fragilidade, um não sei quê de amor, um não sei quê de tempero divino, que tem um efeito devastador sobre os homens...É choro feminino. É choro de mulher...
Já viram como as mulheres conversam com os olhos?
Elas conseguem pedir uma à outra para mudar de assunto com apenas um olhar. Elas fazem um comentário sarcástico com outro olhar. E apontam uma terceira pessoa com outro olhar. Quantos tipos de olhar existem? Elas conhecem todos... Parece que freqüentam escolas diferentes das que freqüentam os homens! E é com um desses milhões de olhares que elas enfeitiçam os homens.EN-FEI-TI-ÇAM !
E tem mais! No tocante às profissões, por que se concentram nas áreas de Humanas? Para estudar os homens, é claro! Embora algumas disfarcem e estudem Exatas...
Nem mesmo Freud se arriscou a adentrar nessa seara. Ele, que estudou, como poucos, o comportamento humano, disse que a mulher era "um continente obscuro". Quer evidência maior do que essa? Qualquer um que ama se aproxima de Deus. E com as mulheres também é assim.
O amor as leva para perto dEle, já que Ele é o próprio amor. Por isso dizem "estar nas nuvens", quando apaixonadas.
É sabido que as mulheres confundem sexo e amor. E isso seria uma falha, se não obrigasse os homens a uma atitude mais sensível e respeitosa com a própria vida. Pena que eles nunca verão as mulheres-anjos que têm ao lado. Com todo esse amor de mãe, esposa e amiga, elas ainda são mulheres a maior parte do tempo. Mas elas são anjos depois do sexo-amor. É nessa hora que elas se sentem o próprio amor encarnado e voltam a ser anjos. E levitam. Algumas até voam. Mas os homens não sabem disso. E nem poderiam. Porque são tomados por um encantamento que os faz dormir nessa hora."

Luís Fernando Veríssimo

sábado, 1 de março de 2008

Sinto saudade !!!

Confesso: Sinto saudades !!!
Espero que um dia isso passe,
e a saudade vire lembrança...
que vire aprendizado...
e que da próxima vez
(espero que tenha outra)
quando encontrar esse tesouro de novo
eu não o deixe ir...
eu o segure...
o agarre...
e que não precise mais sentir saudade
porque ele sempre estará comigo.
Sentir sua ausência é uma forma
de sentir sua presença...
sempre que lembro que vc não está comigo
inevitavelmente me lembro de vc
e tenho flashs de como foi mágico, e penso
como seria se tivesse tomado outro caminho,
e aí logo depois me corrijo,
é sofrível esse pensamento,
me dou uma boa dose de " Bola pra frente"
e me digo: eu não quero mais presenças ausentes,
quero presenças marcantes, próximas...
muito próximas...
e aí "não tomo minha dose de você"
me embriago de leituras, de outras companhias,
até que tudo isso passe...
estou esperando que passe...

Rose

Há dias em que a vida é boa

As vezes, conseguimos sorrir
ao notar a existência do ar.
É quando o cansaço é vencido pela gratidão.
Quando a mesma pessoa, de todos os dias,
da mesma maneira nos ensina a mesa lição.
Mas, desta vez, aprendemos.
Quando percebemos que o planeta é maior
que a distância entre nosso queixo e umbigo.
Quando percebemos a mudança simples
na atitude de um amigo e isso reflete em
nós uma mudança não tão simples...

Há dias em que a vida é boa.
O dia em que entendemos
o que é viver, por exemplo.
O dia em que percebemos que:
A música é mais que som.
O poema é mais que escritos.
O conteúdo é mais que a embalagem.
Quando mentalidade fala mais alto
que a cor dos olhos ou o porte físico.
No dia em que percebemos que
Deus não é só um detalhe.
A Bíblia não é só um livro.
A"pregação" não é só berros.
A água não é só líquido.
O corpo não é só matéria.
A alma não é só mistério.
O abraço não é só contato.
O beijo não é só bom.
O texto recebido por e-mail não é só "legalzinho"
A faculdade não é só diploma.
A política não é só mentira.
O país não é só terra.
As pessoas não são só pedaços de carne falantes.(...)

Talvez esse dia não tenha chegado
e não chegará pra muitos de nós.
Mas, todos os dias a Vida nos chama
querendo ser mais que vida.
Abramos os olhos, então.
(Lucas de Oliveira) disponível em : simplesmentecristao.blogspot.com

sábado, 23 de fevereiro de 2008

+ Rubem Alves

Meu pai me contou que, quando era menino, no início do século passado, guardava seus brinquedos num saco. Os brinquedos que meu pai menino guardava no saco: latas vazias, pedaços de barbante, sementes, sabugos de milho, botões, pedaços de pau, pedrinhas e todo tipo de coisas inúteis. Quando alguém aparecia para visitar minha avó ele pegava o saco de brinquedos e o esvaziava diante da visita. Certamente achava seus brinquedos interessantíssimos! A mãe dele ficava furiosa e lhe aplicava o devido corretivo de chineladas depois que a visita ia embora. A chinela era um dos itens favoritos que minha avó guardava no saco de brinquedos dela. As crianças continuam as mesmas. Ainda gostam de mostrar brinquedos. A gente cresce e continua criança. “Em todo homem há uma criança que deseja brincar...“ (Nietzsche). E todos temos o nosso saco de brinquedos. A fala somos nós abrindo o saco e despejando brinquedos... O saco de brinquedos: isso é de fundamental importância, quando o amor está em jogo. A paixão acontece quando, fascinados por uma imagem – pode ser um jeito de olhar, um jeito de sorrir, um jeito de falar... - imaginamos que dentro daquele corpo de imagem fascinante estão guardados os brinquedos com que gostamos de brincar. O que vemos é a imagem da pessoa amada, mas o que imaginamos são os brinquedos que julgamos guardados dentro dela. A imagem, sozinha, logo se transforma em monotonia. Ninguém consegue ficar o tempo todo contemplando a pessoa amada, por bonita que seja. O que alimenta a paixão não é a imagem mas os brinquedos que ela guarda... Hermann Hesse dizia que a pessoa objeto do nosso amor é apenas um símbolo, uma lagoa onde o rosto da “Outra“ aparece refletido. Que Outra? Aquela que imaginamos. Veja esses versos de Fernando Pessoa. Mas leia bem devagar...“Amamos sempre, no que temos,
O que não temos quando amamos.
O barco pára, largo os remos
E, um a outro, as mãos nos damos.
A quem dou as mãos?À Outra.
Teus beijos são de mel de boca,
São os que sempre pensei dar,
E agora a minha boca toca
A boca que eu sonhei beijar.
De quem é a boca? Da Outra...“
E assim vai. Mas chega um tempo em que nos cansamos de dar as mãos, nos cansamos de olhar, nos cansamos de beijar. E dizemos: “Vamos brincar?“ Hora de abrir o saco, hora da verdade... Os brinquedos espalhados pelo chão, descobrimos que não eram os brinquedos que imaginávamos. O saco era lindo! E a beleza do saco nos enganou. Uma relação amorosa, para ser duradoura, tem de ser uma relação de brincar. Ela dura enquanto os dois brincam. Um gosta de brincar com bilboquê ou de ouvir música sertaneja, enquanto o outro detesta bilboquê e prefere ouvir música clássica... Aí o jeito é brincar sozinho. O Outro, quando aparece, é um desmancha-prazeres... Pergunta que os parceiros deveriam se fazer: “Temos prazer em brincar juntos? Ficamos felizes só em pensar que vamos brincar juntos?“ Se a resposta for negativa é melhor ir procurar outro saco...

Carpe Diem

"Carpe Diem" quer dizer "colha o dia". Colha o dia como se fosse um fruto maduro que amanhã estará podre. A vida não pode ser economizada para amanhã. Acontece sempre no presente.
Rubem Alves

domingo, 17 de fevereiro de 2008

HOMO SAPIENS SOBRE A TERRA

Para enfatizar o impacto do Homo sapiens sobre a Terra, suponhamos que os 4,5 bilhões de anos de idade do planeta possam ser comprimidos num só ano. Dentro dessa escala, a existência da Terra teve início exatamente à meia- noite do dia 31 de Dezembro. Não sabemos nada sobre o que aconteceu nos sete ou oito meses seguintes ( cerca de três bilhões de anos), durante os quais o planeta assumiu suas formas e dimensões atuais. As primeiras formas de vida provavelmente surgiram no mar primitivo em algum dia de Março ou abril, mas só em 15 de Dezembro começaram a crescer as plantas terrestres e os dinossauros fozeram sua aparição. Os mamíferos surgiram e começaram a dominar a Terra mais ou menos em 26 de Dezembro. O homem em sua forma primitiva só entrou em cena lá pelas 20 horas do dia 31 de Dezembro. A agricultura e a domesticação ampla dos animais desenvolverasm-se a´roximadamente ás 23 horas , 59 minutos e 57 segundos, enquanto a Revolução Industrial teve início 1 segundo antes da meia- noite.Quase chega a ser inacreditável o prejuízo que causamos à Terra em apenas 1 segundo do nosso ano, ou 1/30.000.000 de de todo tempo de existência do Planeta!

fonte: Ernest E. Snyder . Parem de matar-me , o Planeta Terra em perigo. Ed Nacional: EDUSP, 1978. p. 109,110.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Até Tu Jesus ?!


O valor do lamento para a fé ...

Quando você quer verbalizar sua raiva mais intensa e irracional (quero dizer sem forma clara, inarticulada), você se dirige a quem? Você faria isso a uma pessoa que pudesse demiti-lo ou tirá-lo de uma posição ou de um relacionamento privilegiado? Não é muito provável. Você não confia nessas pessoas - Você não acredita que essas pessoas suportariam a profundidade de suas decepções, de sua confusão (...) A pessoa que ouve e , mais ainda, suporta seu lamento contra ele é alguém em quem você confia profunda e imoderadamente(...) Por mais estranho que pareça, a linguagem do lamento é o lado "sombrio" da fé.

Dan Allender- psicólogo cristão. in: A Bíblia que Jesus lia - Philip Yancey

Chupa essa manga !!!

Pois é ... durma com esse barulho!!!

Estatística divulgada na Internet mostrou que se fosse possível reduzir a população do mundo inteiro à uma vila de 100 pessoas, mantendo a proporção do povo existente no mundo na virada para o terceiro milênio , tal vila seria composta com a seguinte configuração:

57 asiáticos, 21 europeus, 14 americanos (Norte, Centro e Sul) e 8 africanos
52 seriam mulheres e 48 seriam homens
70 não-brancos e 30 brancos
6 pessoas possuiriam 59% da riqueza do mundo
80 viveriam em casas inabitáveis
50 sofreriam de desnutrição
1 teria computador e 1, apenas 1 teria formação universitária.
Vivendo com propósitos. Ed René Kivitz. p. 36

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Chegue perto de Ti!


Chegue perto de Ti essa minha oração
Dá ouvidos, oh Deus, ao meu clamor a Ti
Pois por dentro vou mal
Emoções vão pior
Estou cercado ao redor
Vou morrendo... Ai de mim, Senhor!
Chegue perto de Ti esse meu reclamar
Pois de noite e dia venho suplicar"
(Jorge Camargo)

ADEUS



E no meio dessa confusão alguém partiu sem se despedir; foi triste. Se houvesse uma despedida talvez fosse mais triste, talvez tenha sido melhor assim, uma separação como às vezes acontece em um baile de carnaval — uma pessoa se perda da outra, procura-a por um instante e depois adere a qualquer cordão.


É melhor para os amantes pensar que a última vez que se encontraram se amaram muito — depois apenas aconteceu que não se encontraram mais. Eles não se despediram, a vida é que os despediu, cada um para seu lado — sem glória nem humilhação.


Creio que será permitido guardar uma leve tristeza, e também uma lembrança boa; que não será proibido confessar que às vezes se tem saudades; nem será odioso dizer que a separação ao mesmo tempo nos traz um inexplicável sentimento de alívio, e de sossego; e um indefinível remorso; e um recôndito despeito.E que houve momentos perfeitos que passaram, mas não se perderam, porque ficaram em nossa vida; que a lembrança deles nos faz sentir maior a nossa solidão; mas que essa solidão ficou menos infeliz: que importa que uma estrela já esteja morta se ela ainda brilha no fundo de nossa noite e de nosso confuso sonho?Talvez não mereçamos imaginar que haverá outros verões; se eles vierem, nós os receberemos obedientes como as cigarras e as paineiras — com flores e cantos. O inverno — te lembras — nos maltratou; não havia flores, não havia mar, e fomos sacudidos de um lado para outro como dois bonecos na mão de um titeriteiro inábil.


Ah, talvez valesse a pena dizer que houve um telefonema que não pôde haver; entretanto, é possível que não adiantasse nada.Para que explicações? Esqueçamos as pequenas coisas mortificantes; o silêncio torna tudo menos penoso; lembremos apenas as coisas douradas e digamos apenas a pequena palavra: adeus. A pequena palavra que se alonga como um canto de cigarra perdido numa tarde de domingo.


Rubem Braga, no livro A traição das elegantes.
texto extraído de: pavablog.blogspot.com